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Os Profetas da Chuva do Piauí - Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido

16/01/2017 às 13h53min - Atualizada em 16/01/2017 às 14h07min

Os Profetas da Chuva do Piauí

Agricultores que tiram uma parte do seu tempo e observam atentamente a natureza. Observam os astros, os animais, as plantas, os insetos, os ventos, a temperatura.

Os Profetas da Chuva do Piauí

Isso mesmo profetas da chuva! Agricultores que tiram uma parte do seu tempo e observam atentamente a natureza. Observam os astros, os animais, as plantas, os insetos, os ventos, a temperatura. E com base nestes estudos, fazem suas previsões a cerca das chuvas que vai cair no período de cada ano no semiárido do Piauí.


Conheci 10 destes profetas da chuva, reunidos em Pedro II durante o 9º Encontro dos Profetas da Chuva, no dia 07 de janeiro, organizado pelo Centro de Formação Mandacaru.   Conhecê-los foi uma experiência ímpar. São agricultores que trazem ensinamentos que fazem parte de uma cultura que precisa ser valorizada.


Tive o cuidado de anotar a fala de todos eles e aqui transcrevo de forma sintética as previsões de alguns deles. E por falar em anotar, eles também tomam nota das suas experiências e observações... O seu Joaquim Sotero de Pedro II, que teve a honra de receber no seu sitio os participantes do encontro faz suas observações com foco nas plantas.  Mostrou-nos os impactos no sitio com as mudanças climáticas, onde o olho d’água que corta sua terra não tem mais nesta época fluxo e as plantas cultivadas, como a cana de açúcar, está com a produção comprometida.  Ele pegou um galho do milho de cobra, uma planta herbácea nativa do lugar, abriu a inflorescência e afirmou que ela indica que vai ter chuva que garanta a produção, não vai ter chuvas fortes, mas vai dar para criar. E disse que numa dessas chuvas o açude Joana sangra este ano.


Com o seu Joaquim (Mestre Quincas) ele observa os ventos e afirma que o vento é o cavalo da chuva. E prevê que vai ter chuvas suficientes para produção de alimentos e que a tendência é que se estenda até o mês de junho.


Do Ceará veio o seu José Inácio, lá da Cidade de Poranga. Ele trouxe a experiência de observar os animais. Disse que a Curicaca, uma ave da caatinga, quando ao voar descer para o lado do Piauí é sinal de pouca chuva. Segundo ele a ave realizou o vôo foi subindo em direção ao Ceará. Então vai ter “inverno”. Ele também trouxe a experiência com as formigas, que no ano em que elas migram com os filhos para as terra mais altas é sinal de muita chuva e foi o que aconteceu por lá.


Para fechar, dois deles trazem um elemento a mais, o seu José Ferreira e seu Antônio Zeferino, ambos de Pedro II, fazem suas observações com a experiência do mês de setembro. Eles fazem uma coisa muito importante, medem a quantidade de chuva, isso mesmo. Com um simples pluviômetro medem a quantidade de precipitação durante o período chuvoso. As suas previsões batem e com as observações feitas em setembro de 2016 e com as anotações da quantidade de chuva que caiu ano passado, eles arriscam afirmar que o ano de 2017 vai ser parecido com o ano passado, e que vai chover abaixo da média local, que é de 850 mm/ano. A média de chuva coletada por eles ficou em torno de 643 mm de chuva em 2016.


Estas experiências dos profetas da chuva é algo profundo, de uma cultura que precisa ser valorizada. E aqui afirmo que, o encaminhamento que foi construído no encontro, para que as entidades do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido possam divulgar estas previsões em todo o semiárido, e identificar em seus territórios os agricultores e agricultoras que fazem da chuva a sua profecia, é de suma importância para a valorização e divulgação dessa nossa riqueza cultural.


Como técnico e com base na agricultura biodinâmica vou buscar cada vez mais utilizar e socializar estas informações vindas dos profetas, pois o objetivo é dos mais nobres. A produção de alimentos para a humanidade.


 


João Evangelista Santos Oliveira.


Tecnólogo Gestão Ambiental e Membro do GT Agroecologia/Sementes.


Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido –FPCSA.



AUTOR/FONTE:

Ascom

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