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Piauí debate em intercâmbio conquistas e desafios da educação do campo - Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido

29/05/2019 às 08h42min - Atualizada em 29/05/2019 às 08h42min

Piauí debate em intercâmbio conquistas e desafios da educação do campo

A cidade de Pedro II, região norte do Piauí sediou nos dias 24 e 25 de maio o Intercâmbio de Professoras/es que trabalham em escolas que receberam uma cisterna.

Piauí debate em intercâmbio conquistas e desafios da educação do campo

A cidade de Pedro II, região norte do Piauí sediou nos dias 24 e 25 de maio o Intercâmbio de Professoras/es que trabalham em escolas que receberam uma cisterna. O evento reuniu educadores/as das regiões norte e centro sul do Piauí. O intercâmbio foi realizado pelo Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido – FPCSA através do Centro de Formação Mandacaru e contou com quase 80 participantes, promovendo um rico debate, além de valiosas palestras. As pautas estavam voltadas para as conquistas e desafios da educação do campo nos dias atuais.


Uma das valiosas palestras foi proferida por Carlos Humberto Campos, sociólogo e membro do Fórum Piauiense. Durante sua fala, Carlos lembrou que o Projeto Cisternas nas Escolas foi um passo importante na perspectiva da convivência com o Semiárido. “O projeto trouxe a oportunidade de debater a educação e a valorização da cultura local, oportunizou também reafirmar de que o Semiárido é uma terra fantástica, um território belíssimo, cheio de oportunidades”. O palestrante lembrou também de que o projeto promoveu ainda o fortalecimento do modelo de educação contextualizada, onde traz como protagonista o saber e a cultura locais.


Um outro forte momento de troca de conhecimentos ocorreu também durante o depoimento das integrantes dos povos indígenas Potiguara do Ceará, convidadas para este espaço. Teca Potiguara, umas das pessoas convidadas, relatou algumas das bandeiras de lutas das aldeias de seu território no município de Monsenhor Tabosa. Entre os desafios citados estar a luta pela terra das aldeias.  Lembrou da importância do modelo de educação contextualizada na escola. “Pra gente trabalhar na escola com o contexto, primeiro se faz necessário levar os alunos nas nossas matas onde ficam os locais sagrados, locais onde nossos antepassados viviam carregando água na cabeça, nascentes onde lavavam roupa, local de onde tiravam o sustento da família”. Disse também que já conquistaram sua escola indígena estadual, mas que precisam avançar muito, pois grande parte das propostas ainda não sai do papel.


O início da tarde de sexta feria dia 25 trouxe a apresentação da escola Liberato Vieira do município de Ipiranga do Piauí. Na apresentação foi possível perceber o quanto uma escola evolui quando a comunidade está junto a ela. Segundo a professora Heulália, uma das apresentadoras da proposta, a escola Liberato Vieira é hoje uma referência no município, principalmente pela metodologia que a escola trabalha com seus alunos. “Realizamos seminários ambientais, participamos de intercâmbios em outros estados, além do viveiro de mudas que cultivamos após a chegada da cisterna na escola. Nossas ações realizadas tanto com o alunos quanto com as famílias da comunidade, tem nos oportunizados receber a visita de vários grupos, agricultores/as e professoras/es  de outras escolas durante o ano”. Disse Heulália.


Ainda no primeiro dia de intercâmbio o professor Elmo Lima da Universidade Federal do Piauí, especialista em educação do campo proferiu a palestra “Educação do Campo, seus desafios e conquistas”. Segundo o professor Elmo, o Semiárido passa por um retrocesso histórico no campo da educação. Lembrava que será necessário os movimentos encamparem uma grande e duradoura luta na busca de direitos a uma educação inclusiva e de qualidade. Segundo ele, o Semiárido só conquistará protagonismo se seu povo obtiver o conhecimento.  “Nós só vamos conseguir mudar essa realidade que a gente vive no Semiárido, quando nós conseguirmos garantir a esses jovens o direito a uma educação de qualidade, o direito ao acesso a um conhecimento que permita essas pessoas se reconhecerem como sujeitos capazes de transformar essa realidade”. Disse o professor.


No segundo dia, outras duas escolas apresentaram suas experiências também focadas no protagonismo do Semiárido. A primeira a trazer suas experiências foi a Ecoescola Thomas a Kempis de Pedro II, local onde acontecia o evento. Inicialmente o público conheceu as áreas da escola onde monitoras/es e técnicos trabalham aulas práticas com os alunos como o cultivo e manejo das hortas agroecológicas, produção de composto orgânico, manejo de pequenos animais entre outras boas práticas de convivência com o Semiárido. No segundo momento, já no auditório, a coordenadora pedagógica Jaqueline de Sousa apresentou o resultado de uma pesquisa científica onde traz relatos de jovens estudantes destacando a mudança de olhares sobre o conceito de vida no campo, o quanto esse olhar mudou, após alguns anos de estudos na Ecoescola. Um dos depoimentos dos jovens dizia: “Eu sempre ouvi na minha comunidade que ali era um lugar sem oportunidades, que ao crescer eu precisaria ir para os centros urbanos buscar uma melhor qualidade de vida. Hoje eu vejo minha comunidade rural como um espaço de belezas únicas, um lugar de riquezas culturais”. Segundo a professora Jaqueline, depoimentos assim, comprovam que a escola pode sim, transformar realidades.


A programação do evento contemplou ainda o professor Francilândio da comunidade Brejinho do município de Milton Brandão. O professor fez uma apresentação da escola onde trabalha, mostrando o seu novo jeito de trabalhar com as crianças a partir do despertar que ele teve ao participar dos cursos, oficinas e intercâmbios promovidos pelo projeto Cisternas nas Escolas. O professor apresentou um projeto pedagógico de sua autoria que estar desenvolvendo comunidade onde trabalha, onde os alunos começaram a transformar o ambiente da escola na manutenção da horta escolar, os estudos adaptados com o contexto local como os animais e plantas nativas existentes na região entre outros.


A organização do evento trouxe para a parte final do intercâmbio, algumas proposições no campo dos encaminhamentos. Ente eles, o compromisso de professoras/es, direções e coordenações das escolas incluírem em suas propostas pedagógicas, ações que contemplem o contexto da comunidade. Também ficou a proposta para que o Fórum Piauiense continue articulando e motivando esse tipo de espaço para que o debate e a troca de conhecimentos possam ter continuidade.


O intercâmbio de professoras/es do projeto Cisternas nas Escola no Piauí foi promovido pela Articulação do Semiárido Brasileiro – ASA Brasil, com o apoio da Ação Die Sternsinger, numa realização do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido – FPCSA através do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II.



AUTOR/FONTE: ASCOM FPCSA

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