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Semiárido - Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido
SEMIÁRIDO
Semiárido











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Segundo dados oficiais do Ministério da Integração, o Semiárido brasileiro abrange uma área de 969.589,4 km² e compreende 1.133 municípios de nove estados do Brasil: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. A ASA atua em todos esses estados e também no Maranhão. (Veja aqui a relação completa dos municípios que compõem  a nova delimitação do  Semiárido)

Nessa região, vivem 22 milhões de pessoas, que representam 11,8% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o Semiárido mais populoso do planeta.

O Semiárido tem a maior parte do seu território coberto pela Caatinga -, único bioma exclusivamente brasileiro -, rico em espécies endêmicas, ou seja, que não existem em nenhum outro lugar do mundo. A composição florística da Caatinga não é uniforme em toda a sua extensão. Apresenta grande variedade de paisagens, de espécies animal e vegetal, nativas e adaptadas, com alto potencial e que garantem a sobrevivência das famílias agricultoras da região.

Essa heterogeneidade tem levado alguns autores a utilizar a expressão – as caatingas. Na sua pluralidade pode-se falar em pelo menos 12 tipos de caatingas, que chamam atenção especial pelos exemplos incríveis de adaptações ao habitat.

Outra característica do Semiárido brasileiro é o déficit hídrico. Mas, isso não significa falta de água. Pelo contrário, é o semiárido mais chuvoso do planeta. A média pluviométrica vai de 200 mm a 800 mm anuais, dependendo da região. Porém, as chuvas são irregulares no tempo e no espaço. Além disso, a quantidade de chuva é menor do que o índice de evaporação, que é de 3 mil mm/ano, ou seja, a evaporação é três vezes maior do que a de chuva que cai.

Isso significa que as famílias precisam se preparar para a chegada da chuva. Ter reservatórios para captar e armazenar água é fundamental para garantir segurança hídrica no período de estiagem, a exemplo das cisternas domésticas, cisternas-calçadão, barragens subterrâneas e dos tanques de pedra.

Indicadores sociais

Apesar do enorme potencial da natureza e do seu povo, o Semiárido é marcado por grandes desigualdades sociais. Segundo o Ministério da Integração Nacional mais da metade (58%) da população pobre do país vive na região. Estudos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) demonstram que 67,4% das crianças e adolescentes no Semiárido são afetados pela pobreza¹. São quase nove milhões de crianças e adolescentes desprovidos dos direitos humanos e sociais mais básicos, e dos elementos indispensáveis ao seu desenvolvimento pleno.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Semiárido é considerado baixo para aproximadamente 82% dos municípios, que possuem IDH até 0,65. O que significa um déficit em relação aos indicadores de renda, educação e longevidade para 62% da população do Semiárido².

Renda

As contradições e injustiças que permeiam a região podem ser percebidas inclusive no acesso à renda, que reflete também uma forte desigualdade de gênero. Metade da população no Semiárido, ou mais de dez milhões de pessoas, não possui renda ou tem como única fonte de rendimento os benefícios governamentais. Na sua maioria (59,5%) mulheres.

Os que dispõem de até um salário mínimo mensal somam mais de cinco milhões de pessoas (31,4%), sendo 47% mulheres. Enquanto isso, apenas 5,5% dispõem de uma renda entre dois a cinco salários mínimos, a maioria (67%) homens, e dos 0,15% com renda acima de 30 salários mínimos apenas 18% são mulheres³.

O Índice de Gini, que mede o nível de desigualdade a partir da renda, está acima de 0,60 para mais de 32% dos municípios do Semiárido, demonstrativo de uma elevada concentração da renda na região4. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade.

Essa realidade metrificada e calculada pelas estatísticas é o reflexo de milhões de vidas que lutam cotidianamente sem o acesso aos direitos sociais e humanos mais fundamentais: aqui se inclui o direito à água. Uma realidade que exige transformações urgentes.

Êxodo

A população rural5, de mais de oito milhões e meio de pessoas, reduziu 5,7% em relação ao ano de 20006, e hoje representa apenas 38% da população na região. Foram mais de 520 mil pessoas que deixaram de viver no Semiárido rural nos últimos dez anos7. Estes números acompanham uma tendência no país, onde a população rural caiu em 6,3% no período analisado.
Esse dado reflete, também, que o Brasil ainda está aquém de garantir as condições necessárias para a opção das famílias de permanência no campo, em especial no Semiárido. Entre os principais elementos nesse processo está a elevada concentração de terras e de água.

Terra

Caracterizada por prolongado período seco, irregularidade de chuvas, semiaridez do clima e alta taxa de evapotranspiração, a região é marcada por uma histórica estrutura concentradora de renda, riquezas, água e terra.

No Semiárido existem mais de um milhão e setecentos mil estabelecimentos agropecuários (33% em relação ao total no país8. Destes, 73% são proprietários que concentram 93% das terras da agropecuária; enquanto isso, 27% dos estabelecimentos agropecuários no Semiárido encontram-se em situação precarizada na relação com a terra, dispondo de apenas 7% da área.

Aqui se inclui o grupo de assentados/as sem titulação definitiva, com 2,8% do número de estabelecimentos; os arrendatários, com 3,7%; os parceiros, com 3,9% e os ocupantes com 11% dos estabelecimentos agropecuários. Soma-se a estes o grupo de produtores/as sem área no Semiárido, havendo mais de 92 mil famílias agricultoras nessa condição (5,4% dos estabelecimentos agropecuários), representando 36,3% das famílias agricultoras sem área do Brasil concentradas no Semiárido.

Água

Essa concentração rebate também na questão da água, apresentando reflexos em diversas dimensões da vida das pessoas. Atualmente 67% das famílias rurais nos estados que compõem o Semiárido não possuem acesso à rede geral de abastecimento de água, sendo que 43% utilizam poços ou nascentes, e 24% utilizam outras formas de acessar a água9, que compreendem inclusive, buscas em fontes distantes, com longas caminhadas diárias10, para o uso de uma água muitas vezes inadequada ao consumo humano.

Nesse contexto, a dificuldade no acesso à água, que em parte seria resultado do índice pluviométrico e da elevada taxa de evapotranspiração, é consequência, mais do que tudo, de uma política concentradora da água, através da qual uns poucos e privilegiados detêm a posse e uso de quase toda a água do Semiárido, enquanto outros morrem de sede.


Em um Semiárido com inúmeras desigualdades, são também múltiplas as alternativas e estratégias possíveis para a garantia do acesso à água por suas populações, muitas construídas por elas próprias. Na luta diária pela sobrevivência, mulheres e homens, portadores de um vasto saber adquirido a partir da observação da natureza ao longo dos tempos, aprenderam a arte de conviver com o meio ambiente olhando os ciclos das chuvas, o comportamento das plantas, dos animais e as características do clima e do solo.


Foi esse conhecimento que construiu as melhores técnicas de convivência com o Semiárido, a partir da iniciativa da estocagem, que tem sido garantida a partir da construção de tecnologias sociais para captação e armazenamento da água da chuva.




Riquezas do Semiárido





POTENCIALIDADE DO SEMIÁRIDO PIAUIENSE








Os estudos demonstram que o Semiárido piauiense apresenta grandes potencialidades econômicas e sociais, entre as quais podem ser mencionadas: parte de seus solos adequados para práticas agrícolas apropriadas; áreas sedimentares com boa disponibilidade de água subterrânea; açudes públicos com elevadas reservas de água; a rica biodiversidade da caatinga na qual se destacam, o elevado potencial de exploração; a possibilidade de beneficiamento de produtos agrícolas e pecuários, como a castanha do caju e o mel de abelha; a irrigação nos vales úmidos; o criatório de caprinos, ovinos, aves e suínos; o turismo ecológico, cultural e religioso; as diversas práticas artesanais e o extrativismo mineral.





Potencialidades Sócio-econômicas





Ao contrário da imagem construída historicamente, o semiárido piauiense apresenta diversas potencialidades econômicas que muitas vezes não são bem aproveitadas pelas comunidades, seja pela falta de orientações técnicas ou por não ter os recursos necessários para implementar uma estrutura mínima para o beneficiamento dos produtos.





Potencialidades Agrícolas







A CARNAÚBA é o principal produto extrativo do Piauí. Dela extrai-se o pó que dá a cera (de grande valor comercial), a madeira e a palha que servem para a construção de casas rústicas e confecção de certos utensílios domésticos. Os vastos carnaubais se acham localizados, principalmente, nos vales dos rios Longá, Poti e Canindé.


A CASTANHA  DE  CAJU é o produto extrativo que, no Piauí, mais tem crescido em quantidade e valor da produção. Hoje, as castanhas produzidas no estado são exportadas para vários estados do Brasil e ainda para a Europa e Estados Unidos, colocando o Estado no seleto clube de exportadores de castanha industrializada.





A OITICICA é uma planta característica das caatingas. Está localizada nas margens dos rios e riachos e é considerada como o vegetal de maior parte na caatinga. A oiticica fornece óleo secativo empregado largamente na indústria de vernizes, tintas e ainda, na fábrica de sabão.


O CAJU é um dos frutos mais produzidas no semiárido piauiense, devido a facilidade que o cajueiro teve em se adaptar ao clima da região. Ele é formado de duas partes: a castanha, que é a parte mais comercializada pelos agricultores e o pseudofruto ou pedúnculo floral, que é vendida como a fruta e utilizada para produção de sucos, cajuínas, doces, etc. O caju é muito rico em vitamina C e contém ainda, em quantidades menores, vitaminas A e do complexo B.





AGRICULTURA DE SEQUEIRO  apesar da região semiárida não apresentar grandes potencialidades no campo da agricultura, devido as irregularidades de chuva, o cultivo do feijão, milho, arroz, mandioca, fava,  milho sorgo tem sido uma das principais atividades produtivas desenvolvidas pelos agricultores/as do semiárido. Além de representar uma importante das atividades econômica, esses produtos têm contribuído significativamente na garantia da segurança alimentar das famílias que vivem no sem-árido.





HORTICULTURA  é uma atividade importante no semiárido na linha da segurança alimentar. A maioria das famílias produzem em seus quintais diversos tipos de hortaliças para o consumo domestico.


PLANTAS MEDICINAIS é uma tradição indígena que foi herdadas pelas famílias do semiárido. Durante muito tempo as pessoas curavam várias doenças com plantas medicinais nativas e outras cultivadas nos quintais. Apesar do avanço da medicina convencional, muitas pessoas ainda preservam a cultura da medicina alternativa.


Produção Animal


A criação de pequenos animais tem despontando com uma das grandes alternativas na área da geração de renda e da segurança alimentar no semiárido, pois é uma cultura que fácil manejo e tem se adaptado bem às características ambientais da região. Dentre os animais que mais se adaptaram destacam:


CRIAÇÃO DE GALINHA CAIPIRA tem sido uma importante atividade produtiva desenvolvida no semiárido como alternativa de alimento e geração de renda. É uma atividade tradicional do semiárido, pois não exige muita técnica no processo de criação e manejo e apresenta boa rentabilidade e produtividade, tanto na produção de carne como na produção de ovos. Além disso, a carne e o ovo de galinha caipira tem ganhado espaço no mercado como um produto saudável e de boa qualidade para a saúde das pessoas.


CAPRINOCULTURA - a criação de caprinos vem crescendo a cada ano no Piauí devido a facilidade de adaptação desses animais à região semiárido. Neste sentido, tornou-se um dos animais preferidos dos agricultores familiares. É um produto que também vem conquistando espaço no mercado.


Hoje, além do consumo da carne, vários outros produtos: leite, iogurte, doces e queijos produzidos com leite de caprinos são consumidos e comercializados no semiárido. O Estado do Piauí é considerado o maior produtor de caprinos do Brasil.


APICULTURA - a criação de abelha para utilização do mel para o consumo humano e a comercialização tem sido uma das atividades produtivas que mais vem crescendo nos últimos anos no Piauí. A apicultura, como é chamada esta atividade, além de possibilitar a comercialização do mel, também favorece a comercialização da cera.


O Piauí vem se destacando como um dos grandes produtores de mel no Brasil, inclusive Picos é considerada a Capital Nacional do Mel de Abelha, em virtude de sua grande produção no gênero. Isto ocorre devido a riqueza dos pastos apícola do semiárido piauiense, que devido a diversidade de flores para alimentos das abelhas, os agricultores chegam a obter até três safras por ano, atingindo uma produtividade de 100kg/colméia/ano, quase o dobro de outros estados.

Fonte:http://educacaonosemiarido.blogspot.com.br/p/riquezas-do-semiarido.html

1 Unicef, 2011.
2 SILVA, 2008.
3 IBGE, Censo Demográfico 2000. Considerando apenas pessoas acima de 10 anos de idade. Salário mínimo considerado da época: R$ 151,00 (cento e cinquenta e um reais).
4 No Nordeste são 29% dos municípios nessa faixa, e a média nacional é de pouco mais de 21% dos municípios.
5 Estudos desenvolvidos pelo IICA (A Nova Cara da Pobreza Rural no Brasil: transformações, perfil e desafios para as políticas públicas) mostram versões diferentes sobre o tamanho da população no meio rural no Brasil.
6 No Censo 2000, a população rural no Semiárido representava 43,6% de sua população. Na década anterior-1991 a 2000- a população rural também decresceu em 8,62%.
7 Grosso modo, sem considerar as taxas de nascimento e óbito. No ano 2000 a população rural no Semiárido era de 9.104.511 habitantes, e em 2010 reduziu para 8.584.502 pessoas. (IBGE, Censo Demográfico).
IBGE, Censo Agropecuário 2006.
IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 2007.
10 Estudos da Embrapa Semiárido apontam que no Semiárido uma pessoa pode passar até 36 dias por ano exclusivamente em busca de água.

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